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História dos Ciganos

quinta-feira, 9 de junho de 2011

HistóriaCultura CiganaRomá

Os Ciganos pertencem a uma raça unida, com costumes e hábitos pouco comuns.

Na Europa apresentam um único idioma, com pequenas variações, devido a assimilação de certos caracteres próprios da região em que vivem.

É um povo peculiar, não somente quanto ao idioma, mas também quanto as características físicas. São na maioria altos, de pele bronzeada, dentes alvos, olhos grandes e negros, cabelos negros e enrolados.

Encontram-se concentrados, em particular na Europa na parte Ocidental da Ásia da África, apesar de estarem espalhados por todo o mundo.

Tendo surgido na Europa, atualmente são mais numerosos na Hungria, Romênia, Turquia, Espanha, Inglaterra, França, Alemanha, Itália e alguns grupos com seus clãs no Brasil.

Por praticarem quiromancia, foram excomungados pelo Papa Martinho V e expulsos da região.

Sua religião é singular, possuem uma crença regional misturada com velhas crendices, comuns a várias regiões da Europa. Povo que pelos seus mistérios, pela beleza de suas roupas e costumes, sempre foi alvo de nossa curiosidade.

As cores para o Povo Cigano têm um significado muito especial e cada uma tem seu valor próprio, primando sempre pelas cores vivas que emanam maior vibração.

Os Ciganos não simpatizam com a cor preta e a usam o mínimo possível, salvo se for de fundo ou que não ocupe lugar de destaque.

As Ciganas mantêm os pés sempre descalços, em contato direto com a terra, para assim se destituírem de qualquer possível energia negativa e absorvem a energia positiva e a bem-aventurança da mãe terra, de quem são filhas.

O Povo Cigano é assim, fascinante. É um povo que não conhece fronteiras e são chamados “ filhos do vento “, são o “ Povo das Estrelas “.

Há milênios eles vem cumprindo sua missão na terra, respeitando e reverenciando a mãe natureza, trocando e passando conhecimento do seu mundo mágico e encantador.

Imaginem no passado a vida dos Ciganos… as estradas precárias por onde transitavam com seus vurdóns, sujeitos as condições climáticas, o comboio enfrentava a tormenta da chuva e do frio, as carroças tombadas pela fúria dos ventos, ou as rodas ficavam atoladas na lama. Durante a calmaria, tudo era festa. O Povo Cigano, ao redor da fogueira cantando e dançando, ao dançar os ciganos expressam sentimentos de alegria, poesia, romantismo e felicidade.

DANÇA CIGANA

Os Ciganos adoram dançar, a dança nasce com eles no momento em que abrem os olhos para enfrentar a vida. Dançam ritmos e sons tradicionais, produzidos pelas guitarras, violinos, violões, acordeões, címbaios, castanholas, pandeiros, palmas das mãos e batidas nos pés, que aprendem desde cedo com parentes e amigos nas festas dos acampamentos. Quando dançam o fazem com a alma, com o coração, a dança é uma alegria contagiante e uma vivacidade única.

Normalmente, procuravam acampar próximo aos rios, de onde podiam colher água potável para cozinhar, beber, tomar banho, lavar as roupas. Levam consigo a linguagem da natureza, a premonição, a mística de suas proximidades com os céus, com a lua, o sol e com a terra. O Povo Cigano por sua própria natureza, é um povo rico, cheio de felicidade e alegria.

São filhos da natureza e a chuva, o rio, o sol, a lua, as matas, o ar e a terra são parte integrante de suas vidas.

A liberdade é um dos tesouros mais significativos desse povo, possuem uma espiritualidade inesgotável aliada ao respeito aos seus costumes.

A devoção à Santa Sara Kali é o aspecto mais importante e Universal da religiosidade cigana. Todo Cigano tem em sua casa uma imagem de Sara Kali, para pedir proteção. A ela oferecem frutas, flores, incensos, velas e fazem muitas orações. Em, Saintes Maries da la Mer no sul da França, a padroeira universal do Povo Cigano é festejada no dia 24 de maio.

fonte: http://www.ciganaluna.com.br

São Jorge-Ogum – 23 de Abril

domingo, 17 de abril de 2011
23 de Abril – São Jorge / Ogum

Em torno do século III D.C., quando Diocleciano era imperador de Roma, havia nos domínios do seu vasto Império um jovem soldado chamado Jorge. Filho de pais cristãos, Jorge aprendeu desde a sua infância a temer a Deus e a crer em Jesus como seu salvador pessoal.

Nascido na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe após a morte de seu pai. Lá foi promovido a capitão do exército romano devido à sua dedicação e à sua habilidade – qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde. Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo altas funções.

Por essa época, o imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos. No dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses.

Todos ficaram atônitos ao ouvirem essas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens. Como São Jorge se mantinha fiel a Jesus, o imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Jorge sempre respondia: “Não, imperador! Eu sou servo de um Deus vivo! Somente a Ele eu temerei e adorarei”. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito em seu plano macabro, mandou degolar o jovem e fiel servo de Jesus no dia 23 de abril de 303. Sua sepultura está na Lídia, Cidade de São Jorge, perto de Jerusalém, na Palestina.

A devoção a São Jorge rapidamente tornou-se popular. Seu culto se espalhou pelo Oriente e, por ocasião das Cruzadas, teve grande penetração no Ocidente.

Verdadeiro guerreiro da fé, São Jorge venceu contra Satanás terríveis batalhas, por isso sua imagem mais conhecida é dele montado num cavalo branco, vencendo um grande dragão. Com seu testemunho, este grande santo nos convida a seguirmos Jesus sem renunciar o bom combate.

No sincretismo religioso, São Jorge corresponde ao orixá Ogum

Divindade masculina iorubá, figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal. Ogum é o arquétipo do guerreiro. A relação de Ogum com os militares (é considerado o protetor de todos os guerreiros) tanto vem do sincretismo realizado com São Jorge, sempre associado às forças armadas, como da sua figura de comandante supremo iorubá. Dizem as lendas que se alguém, em meio a uma batalha, repetir determinadas palavras (que são do conhecimento apenas dos iniciados), Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou. Porém, elas (as palavras) não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, tendo excitado a fúria por sangue do Orixá, detonaram um processo violento e incontrolável; se não encontrar inimigos diante de si após te sido evocado, Ogum se lançará imediatamente contra quem o chamou.

Ogum, portanto, é aquele que gosta de iniciar as conquistas mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é figura imparcial, com a capacidade de calmamente exercer (executar) a justiça ditada por Xangô. É muito mais paixão do que razão: aos amigos, tudo, inclusive o doloroso perdão; aos inimigos, a cólera mais implacável, a sanha destruidora mais forte.

Ogum é o deus do ferro, a divindade que brande a espada e forja o ferro, transformando-o no instrumento de luta. Assim seu poder vai-se expandindo para além da luta, sendo o padroeiro de todos os que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, tatuadores, e, hoje em dia, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. É, por extensão o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia. Do conhecimento da guerra para o da prática: tal conexão continua válida para nós, pois também na sociedade ocidental a maior parte das inovações tecnológicas vem justamente das pesquisas armamentistas, sendo posteriormente incorporada à produção de objetos de consumo civil, o que é particularmente notável na industria automobilística, de computação e da aviação.
www.casadobruxo.com.br
Fontes: www.casadobruxo.com.br e www.umbandaracional.com.br

23 de Abril – São Jorge / Ogum

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Em torno do século III D.C., quando Diocleciano era imperador de Roma, havia nos domínios do seu vasto Império um jovem soldado chamado Jorge. Filho de pais cristãos, Jorge aprendeu desde a sua infância a temer a Deus e a crer em Jesus como seu salvador pessoal.

Nascido na antiga Capadócia, região que atualmente pertence à Turquia, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe após a morte de seu pai. Lá foi promovido a capitão do exército romano devido à sua dedicação e à sua habilidade – qualidades que levaram o imperador a lhe conferir o título de conde. Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo altas funções.

Por essa época, o imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos. No dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses.

Todos ficaram atônitos ao ouvirem essas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens. Como São Jorge se mantinha fiel a Jesus, o imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Jorge sempre respondia: “Não, imperador! Eu sou servo de um Deus vivo! Somente a Ele eu temerei e adorarei”. Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito em seu plano macabro, mandou degolar o jovem e fiel servo de Jesus no dia 23 de abril de 303. Sua sepultura está na Lídia, Cidade de São Jorge, perto de Jerusalém, na Palestina.

A devoção a São Jorge rapidamente tornou-se popular. Seu culto se espalhou pelo Oriente e, por ocasião das Cruzadas, teve grande penetração no Ocidente.

Verdadeiro guerreiro da fé, São Jorge venceu contra Satanás terríveis batalhas, por isso sua imagem mais conhecida é dele montado num cavalo branco, vencendo um grande dragão. Com seu testemunho, este grande santo nos convida a seguirmos Jesus sem renunciar o bom combate.

No sincretismo religioso, São Jorge corresponde ao orixá Ogum

Divindade masculina iorubá, figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal. Ogum é o arquétipo do guerreiro. A relação de Ogum com os militares (é considerado o protetor de todos os guerreiros) tanto vem do sincretismo realizado com São Jorge, sempre associado às forças armadas, como da sua figura de comandante supremo iorubá. Dizem as lendas que se alguém, em meio a uma batalha, repetir determinadas palavras (que são do conhecimento apenas dos iniciados), Ogum aparece imediatamente em socorro daquele que o evocou. Porém, elas (as palavras) não podem ser usadas em outras circunstâncias, pois, tendo excitado a fúria por sangue do Orixá, detonaram um processo violento e incontrolável; se não encontrar inimigos diante de si após te sido evocado, Ogum se lançará imediatamente contra quem o chamou.

Ogum, portanto, é aquele que gosta de iniciar as conquistas mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas, ao mesmo tempo é figura imparcial, com a capacidade de calmamente exercer (executar) a justiça ditada por Xangô. É muito mais paixão do que razão: aos amigos, tudo, inclusive o doloroso perdão; aos inimigos, a cólera mais implacável, a sanha destruidora mais forte.

Ogum é o deus do ferro, a divindade que brande a espada e forja o ferro, transformando-o no instrumento de luta. Assim seu poder vai-se expandindo para além da luta, sendo o padroeiro de todos os que manejam ferramentas: ferreiros, barbeiros, tatuadores, e, hoje em dia, mecânicos, motoristas de caminhões e maquinistas de trem. É, por extensão o Orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia. Do conhecimento da guerra para o da prática: tal conexão continua válida para nós, pois também na sociedade ocidental a maior parte das inovações tecnológicas vem justamente das pesquisas armamentistas, sendo posteriormente incorporada à produção de objetos de consumo civil, o que é particularmente notável na industria automobilística, de computação e da aviação.

Fontes: www.casadobruxo.com.br e www.umbandaracional.com.br

Como é o Réveillon no mundo e no Brasil

domingo, 27 de dezembro de 2009

Tradições

Embora cada povo aguarde a chegada do ano novo com ritos e superstições próprias, a esperança de que o novo ciclo seja melhor do que aquele que se encerrou é comum a todas as pessoas, que aproveitam este momento para valorizar seu desejo de renovação. À espera de prosperidade, saúde, de um novo amor, entre outros desejos, práticas consagradas são usadas para atrair sorte e ajudar a realizar sonhos.

Se comunidades antigas jogavam fora roupas e objetos visando eliminar o que estava “envelhecido”, ou banhavam-se no rio ou mar para acolher o novo tempo, hoje há rituais como o de subir em cadeiras na Dinamarca, limpar a casa para espantar maus espíritos entre os chineses ou usar rolhas de champanhe com moedas como amuleto na Inglaterra. Na Irlanda costuma-se oferecer um pote de arroz doce aos gnomos, enquanto na Turquia pedras de sal grosso são guardadas em sacos com turquesas para proteger as pessoas.

Entre as tradições mais difundidas, há o costume de soltar fogos de artifício e fazer barulho ou tocar música à meia-noite, sempre visando afugentar o mal. Nos Estados Unidos, o mais famoso Réveillon ocorre em Nova York, na Time Square, onde o povo se encontra para dançar, correr e gritar, enquanto na contagem regressiva, uma grande maçã vai descendo no meio da praça e explode exatamente à meia-noite, jogando balas e bombons para todos. De outro lado, no Brasil, grande parte da tradição consiste em usar branco e jogar flores para Iemanjá, rainha do mar no Candomblé.

Réveillon no Rio
Banco de dados da Riotur
Show de fogos de artifício em Copacabana

E a festa é uma das mais valorizadas em Portugal e Espanha. No primeiro, uma das tradições é sair às janelas de casas batendo panelas para festejar a chegada do ano. Nos dias 25 de dezembro e 1º de janeiro, come-se uma mistura feita com as sobras das ceias, chamada “Roupa Velha”, em que o ingrediente principal é o bacalhau cozido. Mais festeira é a tradição espanhola: são dez dias, entre 28 de dezembro, dia dos Santos Inocentes, até 5 de janeiro, da chegada dos Reis Magos, em que as cidades são tomadas por cavalgadas de reis, além das famílias cozinharem a rosca de reis, uma espécie de bolo doce, com figuras e brinquedos para as crianças.  A passagem do ano em Madrid é também um evento de grandes proporções, em que os cidadãos vão à Puerta Del Sol ouvir as badaladas do relógio e fazer pedidos para o novo ciclo.

Diferentes datas marcam comemorações no mundo oriental e árabe. O Novo Ano Chinês é comemorado entre 15 de janeiro e fevereiro de acordo com a primeira lua nova depois do início do inverno. Os mulçumanos têm seu próprio calendário que se chama “Hégira”, iniciado no ano 632 d.C. do nosso calendário, e a passagem do ano novo ocorre em 6 de junho, quando o mensageiro Mohammad fez a sua peregrinação de despedida à Meca. Já o ano novo judaico, chamado “Rosh Hashanah”, é uma festa móvel no mês de Setembro, regada a receitas tradicionais como o “Chalah”, uma espécie de pão, e muito peixe, porque este nada sempre para frente.

Ao longo dos anos, algumas superstições também se transformaram em clássicos nos pedidos de Réveillon, como nunca passar o ano novo de bolsos vazios, usar caroços de romã na carteira para ter dinheiro o ano todo, ou comer lentilha para o crescimento pessoal. Tradições assimiladas e recriadas nas festas brasileiras.

Tradições Brasileiras

A passagem de ano no Brasil tem nome francês, comida italiana e festa no melhor estilo brasileiro, com fogos de artifício, confraternização entre os familiares e amigos e oferendas às entidades do candomblé, umbanda e até para os anjos da guarda. Neste caso, os principais ritos ocorrem nas praias em homenagem a Iemanjá – deusa do mar na religião dos orixás, que protege os fiéis com saúde, amor e dinheiro o ano todo.

Ali ocorre a generalizada tradição de pular sete ondas, que provém de costumes africanos, também em respeito à dona das águas, para que os caminhos sejam abertos. No Candomblé, sete é número cabalístico e representa Exu, filho de Iemanjá, inspirando a prática de um pulo e um pedido a cada onda para sorte futura, sem que jamais se dê as costas para o mar após a homenagem. Acender velas na praia ou jogar rosas no mar completam as comemorações mais tradicionais.

Réveillon em Copacabana
Banco de dados da Riotur
Fogos de artifício no Réveillon de Copacabana

É na praia de Copacabana, Rio de Janeiro, que a queima de fogos e os rituais à beira do mar reforçam o cenário do Réveillon mais conhecido do país, atraindo mais de 2 milhões de pessoas para o espetáculo de quase 20 minutos. Balsas na orla soltam dezenas de toneladas de fogos de artifício, com símbolos de prosperidade, amor e paz. O custo, calculado em cerca de R$ 2 milhões, é coberto pela arrecadação extra – pode chegar a R$ 500 milhões, principalmente graças a turistas estrangeiros.

Em casa, multiplicam-se as tradições e simpatias na noite de 31 de dezembro, como a crença de comer porco e não aves, que podem trazer azar pelo fato de ciscarem para trás, induzindo quem comeu a regredir na vida. Para um ano melhor, à meia-noite é comum as pessoas pularem com um pé só (direito), passar a virada com dinheiro no bolso, dar três pulinhos com a taça de champanhe na mão e jogar tudo para trás para eliminar o que passou de ruim ou cumprimentar primeiro alguém do sexo oposto para trazer sorte no amor.

A sorte no amor passa por crenças como a de usar peças íntimas novas na noite da virada e pela simbologia das cores, que além da tradicional cor branca nas roupas representando a paz e a luz, inclui: azul para a calma e tranqüilidade, amarelo para a riqueza, vermelho para a paixão, rosa para o amor, verde para a esperança e auto-afirmação e violeta para o equilíbrio das emoções.

Festa dupla

O Brasil é o único país equatorial (cortado pela linha do Equador) a utilizar o horário de verão, pois nas nações equatoriais e tropicais (situadas entre os Trópicos de Câncer e Capricórnio), a incidência da luz solar é uniforme quase todo o ano e inexistem muitas vantagens na adoção do horário de verão. Adotado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, porém, o hábito de adiantar uma hora do relógio no verão implica em até 5% de redução de energia elétrica no horário de pico. Para as comemorações de ano novo e mesmo de Natal, fica a indefinição da hora correta a festejar a passagem. Quando o brasileiro festeja a virada à meia-noite está, na verdade, adiantando em uma hora o ano novo devido a uma adequação social. A polêmica faz com que grupos mais criativos comemorem duas vezes o começo do ano, brindando à meia-noite e à uma hora da manhã, garantindo de todos os lados a realização de seus pedidos. 

fonte:
Heloisa Ribeiro.  “HowStuffWorks – Como funciona o réveillon”.  Publicado em 19 de dezembro de 2007  (atualizado em 23 de dezembro de 2008) http://pessoas.hsw.uol.com.br/reveillon1.htm  (26 de dezembro de 2009)

A vida de Papai Noel em detalhes

domingo, 20 de dezembro de 2009
Muitos países europeus negam a crença norte-americana no Pólo Norte como o lar do São Nicolau.

Nem o Papai Noel escapou da fúria biográfica. Sorte nossa que o historiador americano Gerry Bowler, mais do que uma biografia, escreveu uma história completa das representações do Papai Noel na cultura ocidental, revelando aspectos inusitados e pouco conhecidos do curriculum deste imbatível campeão de popularidade. Se a polêmica sobre sua existência virou lugar-comum, pelo menos a história de sua representação coletiva existe, concretamente, nas centenas de estudos e livros consagrados ao surgimento, invenção e reinvenção cultural dessa figura tão conhecida.

Muitas pesquisas recentes procuram demonstrar as fortes relações lendárias de São Nicolau – e por extensão, do Papai Noel – com seus ascendentes pagãos. A associação das festas natalinas às prodigalidades gastronômicas e à entrega de presentes é bem mais antiga que o cristianismo: já eram costumes arraigados e bastante difundidos nas festas pagãs da Saturnália e das Calendas – consagradas ao excesso e à abundância – e depois lentamente transferidos para as festas cristãs do Natal e da Epifania. Mas que coisa mais absurda. As pessoas vêm chegando boquiabertas, esperando receber alguma coisa umas das outras. Os que deram estão abatidos; os que receberam um presente não o conservam consigo, pois passam-no adiante para outros, e aquele que recebeu de um inferior o dá para um superior. Isso não é nada mais que uma nova forma de suborno e servilismo, à qual se liga inevitavelmente o constrangedor elemento da obrigação. Esta advertência ancestral – não destituída de uma certa lucidez – do bispo Astério de Amaséia, a todos os cristãos, é de janeiro do ano 401!

Apesar disso, o surgimento anual de um presenteador mágico, que gostava particularmente das crianças, levou mais de mil anos até tornar-se a mais conhecida e divulgada criação cultural chamada Papai Noel. Embora narrativas desencontradas afirmem que São Nicolau era um bispo da cidade de Mira, na costa da atual Turquia, apenas no século 11 ele se tornou um dos santos mais poderosos da Igreja. E depois que os primeiros colonizadores vikings batizaram uma catedral com o seu nome, o culto se espalhou por toda a Europa, principalmente nos países nórdicos. Bowler detalha também lugares e épocas nas quais surgiram novos hábitos, como o costume medieval das freiras de deixarem presentes às crianças pobres na véspera do Dia de São Nicolau, no começo de dezembro. Analisa ainda como a ascensão do cristianismo fez com que a festa começasse a ser transferida para a véspera do aniversário de nascimento de Jesus; e como a figura de São Nicolau esteve muito distante da figura moderna e benevolente do Papai Noel – sobretudo porque sempre foi representado como um santo severo, rígido e disciplinador, hábil em fustigar incréus e malfeitores com varas e chicotes. No longo período de tempo entre a Reforma no século 16 e a revolução tecnológica no 19, São Nicolau foi associado a uma série de representações lendárias e fantasmagóricas que incluíam, além da óbvia figura barbuda, com um gorro cinzento e rosto sério, uma variedade imensa de espantalhos desgrenhados, feiticeiras, figuras fantasmagóricas, fadas, reis, anjos, duendes e até um espantoso pedaço de tronco que urinava e defecava.

Foi na pragmática e utilitária cultura oitocentista norte-americana que toda esta tradição complexa, variada, multiforme e sincrética de representação de Nicolau acabou sendo escoimada, filtrada e desinfetada para inventar – ou reinventar – esta figura gorducha e coberta de peles chamada Papai Noel. As primeiras menções impressas são de 1810: versos anônimos publicados no New York Spectator e um poema do nova-iorquino Clemente Moore, o qual – inspirando-se na figura do condutor holandês que o conduzia, de carruagem, para sua casa – descreve o gorducho personagem à sua família. Mas, quando este último poema é publicado, em 1823, a figura de Noel já foi completamente dessacralizada e secularizada – tanto que ele já se mostrava capaz de descer pelas chaminés tanto dos lares católicos quanto protestantes. Sua vocação disciplinadora também foi mantida e bem temperada com traços do seu caráter mágico – em resumo, surgiu uma figura que dispunha de uma autoridade sedutora e transcendente, à qual se podia apelar tanto quanto a qualquer outra autoridade em casa, na família ou na imaginação nacional. No final do século 19, o Papai Noel era tão popular que os movimentos sociais e políticos começaram a recrutá-lo como porta-voz das mais variadas bandeiras de lutas e reivindicações na arena pública, transformando-o num precoce lobista das mais diversas causas.

O paradigma atual de sua imagem, vestido de vermelho e branco, contudo, só se consolidou nos famosos desenhos realizados pelo ilustrador Haddon Sundblon para a Coca-Cola Company, em 1931. Daí a figura que conhecemos ganhou enorme prestígio e popularidade em canções, filmes, folhinhas, revistas e lojas de departamentos – sem contar que chegou a ser recrutado como uma espécie de propagandista neutro durante a 2.ª Guerra Mundial. Ressaltando-se sua prodigalidade e auto-indulgência, durante todo o século 20, Noel transformou-se num autêntico pau para toda obra, virando propagandista, aliciador mercantil, tema de arte kitsch natalina, e até personagem de sites pornográficos na internet. Fundamentalistas condenaram e proibiram seu culto como mera idolatria. Já intérpretes estruturalistas chegaram a descrevê-lo como profeta-vendedor, cujo papel era induzir astuciosamente as pessoas a comprar e – ao mesmo tempo – disfarçar as origens comerciais desses presentes. Lévi-Strauss definiu-o como o único deus de um grupo etário específico: as crianças, que sempre o homenageavam com cartas e preces. Uma visada pós-moderna chegou mesmo a inverter o mecanismo da crença: nós não estamos mais engendrando a figura de Noel – é ele que está veladamente nos moldando, porque todo ano ele renasce e nos torna participantes de uma aventura de consumo que dura um mês inteiro.

Hoje, é grande até a disputa turística por Papai Noel: muitos países europeus negam a crença norte-americana no Pólo Norte como o lar do famoso velhinho. Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia divulgam folhetos turísticos indicando cidades onde nasceu e viveu São Nicolau. Recentemente, até a Turquia muçulmana entrou na disputa, reivindicando ser o lar original do primitivo santo. Mas não será uma olhada na enorme bibliografia referente ao bom velhinho que vai decidir a questão. Em síntese, Papai Noel ficou tão trivial que provavelmente ninguém mais se interesse pelas suas origens. Bowler resume grande parte das mais recentes pesquisas, voltadas para entender como se formam e perduram os mecanismos de uma crença cultural tão renitente. E, neste caso, as crenças não se limitam ao Papai Noel. Em muitos países, o menino Jesus ainda é o seu mais poderoso concorrente. Muitas crianças italianas escrevem bilhetes não para Noel, para o Gesù Bambino. Recentemente, saíram duas coletâneas com trechos das melhores cartas e bilhetinhos das crianças, nos quais surgem perguntas muito pertinentes, surpreendentes até para os mais profundos teólogos. Como a de Marcello, um milanês de 9 anos, que, fazendo jus à criatividade implacável desta idade, escreve: Querido Jesus, em vez de você fazer as pessoas morrerem e aí criar novas pessoas, por que você não fica com as que já têm?

Elias Thomé Saliba é historiador, professor da USP e autor, entre outros, de As utopias românticas.

fonte:

http://www.parana-online.com.br/editoria/almanaque/news/275459/?noticia=A+VIDA+DE+PAPAI+NOEL+EM+DETALHES