Palhaços em Rede e o Contexto
da Cultura e Saúde
Quando Doutores da Alegria completou dez anos de existência, em 2001, entendemos que o mundo enviava uma mensagem clara: a questão da alegria na adversidade era algo que precisava ser mais conhecido, estudado, disseminado, questionado, e, principalmente, compartilhado.
Constatamos que a figura do palhaço no hospital era uma atividade espalhada globalmente, resultado da implantação bem sucedida de trabalhos consistentes como The Big Apple Circus Clown Care Unit em Nova Iorque, 1986; Le Rire Medecin na França e Doutores da Alegria no Brasil, ambos em 1991, e Die Clown Doktoren na Alemanha. Hollywood, que trabalha estudando tendências para produzir seus filmes, percebeu a força desse movimento e levou para as telas a história de Patch Adams, médico que usava o humor como tratamento terapêutico de seus pacientes, o que ajudou a difundir ainda mais o conceito da alegria e da atuação do palhaço na área da saúde.
No Brasil, já era possível contar mais de 100 iniciativas de palhaços em hospital – ou casas de apoio, asilos e orfanatos – nos mais variados tipos de organização. Em 1999, o governo federal havia lançado o programa nacional de humanização no atendimento à saúde, hoje conhecido como HUMANIZASUS, e metáforas recorrentes usando a saúde eram pronunciadas por figuras públicas: “A cidade está na U.T.I.”, “Brasil saiu a U.T.I.”, “O mundo está enfermo” e assim por diante.
Foi neste cenário que fizemos a escolha de trabalhar para elevar nossa atividade, a besteirologia, à condição de profissão de futuro. Para tanto, começamos a nutrir o conceito dos Doutores da Alegria ser uma organização – escola.
Ao enveredar por esse caminho, os programas semelhantes não poderiam ser olhados como concorrência, mas como colegas construtores de um novo mercado, com os quais poderíamos compartilhar nosso conhecimento e experiência visando a estruturação dos grupos por dois pilares essenciais: ética e qualidade.
Quando começamos a mapear essas iniciativas, promovemos nos Doutores da Alegria de São Paulo, em novembro de 2003, um grande encontro, com mais de 50 representações para saber como poderíamos colaborar com elas. “Queremos aprender mais coisas para fazer no hospital!” foi o denominador comum, então decidimos conhecer de perto alguns desses grupos, promovemos oficinas e, com base nessa experiência, lançamos o Palhaços em Rede em 2007.
A escolha do Doutores da Alegria em promover a rede tem por objetivo potencializar a relação entre os grupos que atuam como palhaços em hospitais, para que cada iniciativa tenha consciência de sua importância local e de sua fundamental contribuição para construir um mercado ético de qualidade, pois nessa linha de atuação, não é possível ser menos do que isso.
No ano passado, uma articulação foi realizada entre os Ministérios da Cultura e da Saúde, que resultou na criação do Programa Cultura e Saúde, que reconhece o papel relevante da Arte e da Cultura na área da Saúde premiando iniciativas relevantes nesse contexto: 41 organizações e ações de todo o Brasil foram, não apenas reconhecidas com o prêmio, mas legitimadas pelo convite à construção de propostas possam tornar-se políticas públicas. Em lugar nenhum do mundo encontramos uma ação deste porte. E isso só acontece por conta dos resultados já gerados.
O Juramento de Hipócrates diz: “Prometo que, ao exercer a ARTE de curar…”
Cabe a nós, agora, construir esse futuro.
Por Wellington Nogueira
Fundador dos Doutores da Alegria
Agosto de 2009
fonte de pesquisa:
http://www.2u-u.com/doutores/index.php?option=com_content&view=article&id=19&Itemid=7