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16 de agosto – Aniversário da Cidade de Teresina – (PI)

domingo, 1 de agosto de 2010

A capital do Piauí nasceu na Barra do Poty. Na sesmaria do bandeirante Domingos Jorge Velho, conhecida por todos nós, como Chapada do Corisco, que se tornou sede da freguesia de Nossa Senhora do Amparo em 1827, e mais tarde, foi
criada a Vila do município do Poty, nas terras desmembradas de Campo Maior, Valença e São Gonçalo do Amarante.
No dia 16 de agosto do ano de 1852, a Nova Vila do Poty com 1.809 Km2 de área, passou a ser a Capital do Piauí com o nome de teresina, em homenagem à Imperatriz Teresa Cristina. Ela está localizada na margem direita do rio Parnaíba naconfluência com o rio poti. Idealizada  pelo governador da Província  José Antônio Saraiva, a nova capital foi a primeira do Brasil a ser planejada, cujo traçado foi feito a partir do cruzeiro ainda hoje existente no adro da Igreja Matriz do Amparo. Além do governador, o vigário potiense Mamede Antonio Lima e o mestre-de-obra João Izidoro França, lideraram a construção da nova cidade que em pouco tempo foi ganhando ares de modernidade, e se tornou moradia de várias categorias profissionais que vinham de outras cidades, para se estabelecer em Teresina.
No governo de João de Oliveira Junqueira, em 1858, foi fundada a Companhia de Navegação do Rio Parnaíba, dando um importante significado econômico para o Estado. Em abril de 1859, o vapor Uruçui de Teresina a Parnaíba rebocava barcas cheias de mercadorias e passageiros. Foi desta forma que o comércio começou a se
desenvolver, à beira do rio Parnaíba, que aliás, era uma área privilegiada.

Teresina é a capital e o município mais populoso do estado brasileiro do Piauí. Localiza-se no Centro-Norte Piauiense a 366 quilômetros do litoral, sendo, por tanto, a única capital da Região Nordeste que não se localiza as margens do Oceano Atlântico.É a 22ª maior cidade do Brasil, com 802.537 habitantes.Está conurbada com o município maranhense de Timon e, juntos, aglomeram cerca de 1 milhão e 40 mil habitantes. A única barreira natural que as separa é o Rio Parnaíba, o maior rio totalmente nordestino.A cidade representa cerca de 25% da população piauiense e cerca 45% de sua economia, sendo sua região metropolitana 60% do PIB do Piauí.

A cidade é a terceira onde mais acontecem seqüências de descargas elétricas no mundo.Por esta razão, a região recebe a curiosa denominação de “Chapada do Corisco”. Destaca-se como um pólo de medicina, recebendo pacientes de vários estados do Nordeste,e por ser a primeira capital planejada do Brasil.Segundo o IPEA, é a terceira capital mais segura do Brasil (perdendo apenas para Natal/RN e Palmas/TO).

Seu lema é a frase “Omnia in Charitate”, que significa, em português, “Tudo pela caridade”. A cidade é a terra natal de Torquato Neto, poeta do Tropicalismo, e Carlos Castelo Branco, colunista político do Jornal do Brasil.

A origem de Teresina é ligada diretamente ao Rio Poti. As margens desse rio havia um povoado, que depois seria elevado à condição de Nova Vila (do Poti). Essencialmente formada por pescadores e pequenos comerciantes, era cortada por uma estrada que ligava Oeiras, então capital da Capitania do Piauí, a Parnaíba, um dos mais prósperos centros do estado.

Uma das primeiras construções de Teresina foi a Igreja de Nossa Senhora do Amparo, localizada no Centro da Capital, o que mostra a verdadeira devoção religiosa do povo da antiga vila. A cidade já nasceu, ou seja, foi fundada, em 1822, com o objetivo de tornar-se capital do estado do Piauí, totalmente planejada pelo Conselheiro José Antônio Saraiva, sendo, portanto, oficialmente a primeira capital planejada do Brasil.

Vale ressaltar que a transferência da capital da Província do Piauí de Oeiras para Teresina realizou-se sob vários protestos da comunidade oeirense, que desejava a todo custo, garantir a permanência da capital naquela cidade.

Contudo, apesar da pressão, o Presidente da Província, José Antônio Saraiva, ardoroso defensor das ideias mudancistas, efetiva a transferência da capital. E em 16 de agosto de 1852, dirige circular a todos os Presidentes de Província do Império comunicando o fato, instituindo-a assim, como nova capital do estado.

O nome da cidade remete a imperatriz Teresa Cristina Maria de Bourbon, que teria intermediado com o imperador Dom Pedro II a ideia de mudança da capital, e em sua homenagem deu-se o nome da cidade, que é algo como o diminutivo de Teresa, no idioma italiano. Tornada capital, Teresina passou por um crescimento bastante acentuado, aumentando de 49 para cerca de 8 mil habitantes em duas décadas. Essa foi a primeira cidade do Brasil construída em traçado geométrico. Ela não nasceu de forma espontânea, mas de modo artificial. Saraiva, pessoalmente, tomou as primeiras providências: planejou tudo, com o cuidado de estabelecer logradouros em linhas paralelas, simetricamente dispostas, todas partindo do Rio Parnaíba, rumo ao Rio Poti, principais fontes de água da cidade, até hoje.

No ano de 1860, a nova capital já contava com uma área urbanizada de um quilômetro de extensão na direção norte-sul, com os seguintes confrontos: de um lado o largo do quartel do Batalhão (atual Estádio Lindolfo Monteiro) e do outro o “Barrocão” (atual Avenida José dos Santos e Silva). Na direção leste-oeste o desenvolvimento não ganhou a mesma intensidade. Tomando-se como base o lado do Poti, as ruas findavam a algumas dezenas de metros acima das duas principais praças, a da Constituição, atual Praça Marechal Deodoro da Fonseca (que anteriormente também denominou-se Praça do Palácio e Largo do Amparo), e a do Largo do Saraiva (atualmente Praça Saraiva). Para o lado do Parnaíba, nem todas as ruas chegavam ao rio. A Rua Grande, atual Rua Álvaro Mendes, uma das principais ruas da nova capital teve um papel significante no desenvolvimento da nova cidade.

Teresina é conhecida por Cidade Verde, codinome dado pelo escritor Coelho Neto, em virtude de ter ruas e avenidas entremeadas de árvores. É um Município em fase de crescimento e, atualmente, possui uma área de 1.673 km² e uma população de 800 mil habitantes. É uma das mais prósperas cidades brasileiras, e atualmente destaca-se no setor de eventos, congressos, indústria têxtil e centro médico.

Outros comentam que a criação da capital Teresina teria sido uma medida político-estratégica, sob o fato de que a cidade de Caxias, do estado vizinho do Maranhão, estava ameaçando a hegemonia da região norte do estado do Piauí, tendo então o conselheiro transferido a capital para resolver a questão da centralização no estado.

Teresina foi a primeira capital planejada do Brasil; as outras são Aracaju (1855), Belo Horizonte (1894), Goiânia (1933), Brasília (1960), e Palmas (1989). Todavia, convém ressaltar, que os núcleos fundacionais das cidades de Salvador (1549), São Luís (1612) e Recife (Mauritsstadt – 1637) também foram projetados, embora que os traçados de Salvador e Mauritsstadt tivessem uma malha reticulada flexível.

Fonte: http://www.guiadeteresina.com/ver.asp?id=333

Imigração Alemã no Brasil

sábado, 22 de maio de 2010

Razões da Emigração na Alemanha

Quando se fala em imigração alemã há 170 anos, é bom pensar como eram as coisas naquele tempo, na Alemanha, no Brasil, no Rio Grande do Sul.

O Brasil tinha meia dúzia de centros notórios, como Rio de Janeiro, a capital do recém criado Império Brasileiro; Salvador, antiga capital; Recife, São Paulo e núcleos mais provincianos como Porto Alegre. O Brasil era movido pelos escravos. De seu suor, sangue e lágrimas vivia a jovem nação. Açúcar, gado, cacau, pedras preciosas, tudo nascia de suas mãos. E como eles fossem em maior número do que os homens livres, é provável que esse fato levasse o Governo a pensar em imigrantes de outra categoria. O Rio Grande de São Pedro tinha Porto Alegre como capital. Ainda marcavam presença Viamão, Rio Pardo, Pelotas e Rio Grande, para citar apenas alguns núcleos. O gado constituía a grande riqueza, indelevelmente ligada à História do extremo sul. Aqui também o braço servil era uma realidade.

“O começo na mata virgem.” – Imagem pertencente ao Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
Falar na Alemanha da época requer registrar que ela não existia como unidade nacional. Havia reinados, principados, ducados, independentes entre si. O que identificava a todos, e daí falarmos em Alemanha, era a língua. Na Idade Média, predominava os dialetos. Ainda hoje a Alemanha é rica em dialetos. Com Lutero ao traduzir a Bíblia para que os alemães pudessem lê-la, criou-se a língua alemã ou simplesmente, o alemão. Ao uniformizar o idioma, havia um elo comum entre todos os departamentos políticos vindos da Idade Média. Logo, ao falarmos em imigrantes da Alemanha, antes de 1871, ano da unificação formalizada por Bismark, referimo-nos às pessoas de fala alemã. Os passaportes da época registram a origem das pessoas como sendo da Prússia, de Schleswig-Holstein, Renânia, Hesse ou Pomerânia. Como todas falassem a mesma língua, a História só registra “alemães”. Mas isso não tira o mérito da imigração entre nós.

Agora podemos perguntar – o que leva uma pessoa a deixar seu lugar de nascimento?

Ora, com nossos imigrantes alemães houve, como em qualquer ser humano, o desejo natural de progredir, a visualização de novos horizontes em razão de situações existentes em sua terra natal.

Na família alemã vamos encontrar o “Erbrecht” (morgadio), direto hereditário do filho mais velho. Como não houvesse mão-de-obra à disposição, eram comuns famílias com oito, dez ou mais filhos. A propaganda brasileira então feita na Alemanha deve ter produzido os efeitos desejados, já que muitos viam a grande oportunidade de terem suas terras próprias. E muita terra! Enfim, sessenta ou setenta hectares era muita terra. Não seria hora da realização da utopia de cada um? Outrossim, é preciso considerar que, ao tempo do início da imigração, a Alemanha saíra das Guerras Napoleônicas, que causaram uma devastação fácil de imaginar: lavouras destruidas seguidamente, moradias em chamas, mortes, dizimação da juventude masculina, a soldadesca deixando seus restros junto ao elemento feminino… Quanto aos renanos, o maior número de imigrantes, suas terras sempre foram palco de lutas travadas ao longo do rio Reno, fato que pode explicar sua inquietação. Mais. A emigração começou em 1824, setenta anos depois da invenção da máquina a vapor, na Inglaterra, cujos efeitos técnicos começavam a fazer sentir na Europa continental. A máquina dispensa mão-de-obra e a previsão de desemprego para tanta gente deve ter exercido sua influência sobre a emigração. Depois veremos que os artesãos, começando a perder suas oportunidades na Alemanha, foram aqui muito importantes, porque lançaram as bases da industrialização. Além desses fatores gerais, em cada região de onde provieram imigrantes, com destaque para a Renânia, Vestfália e Pomerânia, havia fatores locais a influir na saída de seus filhos.

Razões da imigração no Brasil

Por que alemães vieram ao Brasil?

Quem sabia na Renânia que o Brasil existia?

Onde ficava esse Brasil?

Nos meios políticos e governamentais certamente o Brasil era conhecido porque a filha de Francisco II, último Imperador do Sacro Império Romano de Nação Alemã, ao mesmo tempo, Francisco I, primeiro Imperador da Áustria, da Casa dos Habsburgos, era casada com o jovem Imperador Pedro I, da Casa de Bragança. O nome dessa mulher ressoou e ainda ressoa no Brasil, mormente no sul, em virtude da imigração alemã. A arquiduquesa Leopoldina Carolina Josefa contraiu matrimonio com D. Pedro, apenas príncipe, no dia 13 de maio de 1817, por procuração, em Viena. Pelas descrições, Leopoldina não era um “monumento” de beleza, mas seria simpática, cabelos louros, olhos azuis, atenciosa, inteligente, cativante. Ela conquistou os brasileiros, que a consideravam uma “mãe”, como registram os livros. E quanto mais os brasileiros ficaram conhecendo seu Imperador, com todos seus pecados, tanto mais Leopoldina subia no conceito deles. É fácil imaginar que o fato de uma princesa germânica ser a Imperatriz do Brasil tenha dado ênfase à imigração. Leopoldina sabia que sua antepassada, Imperatriz Maria Teresa, havia colonizado terras ao longo do Danúbio, para impedir o avanço dos turcos em direção ao centro da Europa, com ameaça ao território austríaco. O Brasil vivia uma situação parecida no sul. Ali constantemente havia invasões e atividades bélicas para manter as fronteiras brasileiras. A colonização mais intensa daquele pedaço de terra poderia ajudar a manter o equilíbrio geopolítico. Na verdade, os açorianos, então “donos” do Rio Grande, eram, também, os “eternos vigilantes”. Afirmava-se que dormiam com um olho só; o outro estava sempre aberto para ver o inimigo chegar.
Colonizar o sul. Mas onde buscar os colonizadores?

É claro que não viriam portugueses, de quem o Brasil acabara de se emancipar. Espanhóis, nem pensar, porque eram os inimigos naquela região. Franceses também não, porque um dia haviam invadido o Rio de Janeiro, fundando a “França Antártica”. Ingleses também não, porque igualmente haviam tentado instalar-se no Brasil. Holandeses fora de cogitação, pois estiveram 24 anos no Nordeste. Alemães. Leopoldina era alemã. A Prússia, que depois integraria a Alemanha, tinha um exército reconhecido e admirado por D. Pedro I, cujas tendências militaristas era conhecidas. O Brasil precisava de soldados, já que os portugueses, com a Independência, haviam voltado para Portugal. Quem defenderia o Brasil? D. Pedro I interessou-se por mercenários alemães e provavelmente, para não ser notado esse “movimento militarista”, passou a contratar também colonos que ocupariam as terras sulinas.

Para proceder adequadamente, foi enviado à Alemanha Jorge Antônio von Schäffer, preposto do Império. A missão de Schäffer, embora exitosa, teve muitos percalços. A Europa estava impedindo que soldados saíssem como mercenários. Quem desejasse emigrar, deveria renunciar à nacionalidade e apresentar provas de que o país destinatário lhe daria nova nacionalidade. Os países europeus queriam prevenir-se contra futuras responsabilidades.

O governo brasileiro oferecia: passagem paga; concessão de cidadania; concessão de lotes de terra livres e desimpedidos; suprimento com primeiras necessidades; materiais de trabalho e animais; isenção de impostos por alguns anos; liberdade de culto.

No Brasil há uma expressão popular que diz: “Quando a esmola é demais o pobre desconfia”. É muito possível que alguém considerasse a oferta grande demais. Isso iria confirmar-se mais tarde, porque chegar ao Rio Grande, mais especificamente a São Leopoldo, e receber um lote de terras a 30 ou 40 quilômetros distantes da sede, sem estradas, sem escolas, na mata virgem, deve ter provocado muitas lágrimas. Com relação à liberdade de culto oferecida – o Governo deveria prever que entre os imigrantes havia luteranos – era inconstitucional, porque pela Constituição Imperial de 1824 a religião católica era oficial. Outros credos poderiam ser praticados, em caráter particular, em casas, sem aparência exterior de templo.

A primeira leva de imigrantes

Os imigrantes contratados por conta do Governo brasileiro por Jorge Antônio von Schäffer na Alemanha e componentes da primeira leva, depois de passarem pelo Rio de Janeiro, chegaram a Porto Alegre em 18 de julho de 1824. Seguindo instruções recebidas, o Presidente da Província, José Feliciano Fernandes Pinheiro, encaminhou os imigrantes para a Feitoria desativada à margem esquerda do Sinos.

É fácil imaginar a viagem Sinos acima. Uma vegetação luxuriante, com árvores enormes e flores em profusão; muitos animais povoando as margens: jacarés, capivaras, ratões do banhado, fuinhas e, sem dúvida, alguma cobra deitada preguiçosamente sobre um tronco caído na água. No céu bandos de aves a fazerem seu balê ao vivo e em cores; garças, biguás, um mundo de pássaros coloridos. Numa palavra: um encanto! Um mundo novo à espera de quem fizera uma viagem de 12.000 quilômetros em busca de uma nova pátria. Do rio, carretas de boi levaram os imigrantes até a Feitoria. era o dia 25 de julho de 1824, um domingo, data da fundação do primeiro núcleo de colonização alemã no sul do Brasil, que viria a transformar-se na cidade de origem alemã no Estado, a data é festejada em todos os quadrantes.

A primeira leva de imigrantes era formada pelas seguintes pessoas, nun total de 39: Miguel Krämer e esposa Margarida, católicos. João Frederico Höpper, esposa Anna Margarida, filhos Anna Maria, Christóvão, João Ludovico, evangélicos. Paulo Hammel, esposa Maria Teresa, filhos Carlos e Antônio, católicos. João Henrique Otto Pfingst (en ?), esposa Catarina, filhos Carolina, Dorothea, Frederico, Catarina, Maria, evangélicos. João Christiano Rust (Bust?), esposa Joana Margarida, filha Joana e Luiza, evangélicos. Henrique Timm, esposa Margarida Ana, filhos João Henrique, Ana catarina, Catarina Margarida, Jorge e Jacob, evangélicos. Augusto Timm, esposa Catarina, filhos Christóvão e João, evangélicos. Gaspar Henrique Bentzen, cuja esposa morreu na viagem; um parente, Frederico Gross; o filho João Henrique, evangélicos. João Henrique Jaacks, esposa Catarina, filhos João Henrique e João Joaquim, evangélicos.

Essas 39 pessoas, 6 católicas e 33 envagélicas, são as fundadoras de São Leopoldo, nome e lugar então inexistentes, porque tudo se resumia à Feitoria do Linho-Cânhamo.

É fácil imaginar o quadro na Feitoria com a chegada dos alemães.

Um lugar nunca imaginado, gente de língua desconhecida e costumes estranhos. E por que tudo tinha um ar de abandono? Se a isso juntar-se um dia de inverno no Vale do Sinos com frio, cerração e umidade, a chegada deve ter causado impacto. Mas aquele dia ajudou a fazer um novo Rio Grande, razão para dividir-se sua História em “antes” e “depois” de 1824.

Na parte econômica, podemos referir que a produção agrícola em poucos anos floresceu, a ponto de a colônia abastecer a capital, Porto Alegre. Mais: ao lado do trabalho agrícola, os alemães também eram Handwerker, isto é, artesãos. Trabalhavam a madeira, o ferro, o couro, as fibras. Desse artesanato, na Alemanha, provieram muitos nomes próprios. Assim, Schmidt é ferreiro; Schuster, sapateiro; também Schuhmacher, sapateiro; Weber, tecelão; Zimmermann, carpinteiro; Schreiner, marceneiro; Schneider, alfaiate; Wagner, construtor de carroças; Müller, moleiro. Com seu trabalho, os artesãos formaram as bases da industrialização no Rio Grande. Não é para menos que o Vale do Sinos transformou-se numa extraordinária concentração industrial. Muitas grandes fábricas espalhadas pelas cidades de origem alemã começaram com um verdadeiro artesanato, em pequenas casinhas de porta e janela, onde tudo era feito à mão.

Na parte cultural merecem citação muito especial as escolas. Não as encontrando aqui, os colonos as criaram para ensinar as crianças a ler, escrever e fazer contas. Assim surgiram as escolas de comunidade, em alemão Gemeindeschule. Não havia picada, lá no fundo do mato, onde não funcionasse uma escolinha. As crianças vinham de longe, até de um raio de 4 ou mais quilômetros. Algumas vinham a cavalo. O material de aula era simples: a lousa, em alemão Tafel; o lápis de pedra, em alemão Griffel, e mais tarde a cartilha, em alemão Lesebuch. Aumentadas em número a cada ano e espalhadas com as novas levas de imigrantes em novos espaços, essas escolas garantiram a luz das letras a milhares e milhares de pessoas. Por volta de 1938 eram mais de mil escolas coloniais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra o menor número de analfabetos na “colônia alemã”.


Fotografia tirada no “Atelier de Photographia de Barbeitos & Irmão” – Porto Alegre
Ainda na parte cultural, podemos dizer que os alemães têm um caráter muito associativo, isto é, gostam ou até precisam viver em grupos. O clima frio deve ter sua influência sobre tal comportamento. Já nos climas quentes as pessoas andam soltas, fora de casa, sem o aconchego da lareira. A intensa vida em família e os encontros nos locais de lazer, nos clubes, fez surgir grupos de música, de teatro, de canto. Assim o canto coral, tão intenso em nosso Estado, a ponto de haver uma Federação de Coros, é uma das grandes heranças alemãs. Não há vila de origem alemã onde não se cante em grupos masculinos, femininos ou mistos. No mínino, nas comunidades religiosas há um pequeno coro que abrilhanta os cultos, acompanha enterros ou alegra as festas de igreja.

Fonte: 1824 ANTES E DEPOIS – O Rio Grande do Sul e a imigração alemã
Texto: Telmo Lauro Müller

fonte: http://www.colono.com.br/asp/entrada_historia.asp

Dia 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à exploração contra crianças e adolescentes

quinta-feira, 18 de março de 2010

Há nove anos o Brasil escolheu oficialmente o 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração contra Crianças e Adolescentes. Uma data para lembrar não só a importância da proteção que nossos meninos e meninas precisam e têm o direito de receberem, mas para reforçar o convite à responsabilização de toda a sociedade na causa. Em todo o País, pontos focais dos comitês de enfrentamento e entidades mobilizam a sociedade civil e os poderes públicos para o problema da exploração sexual infanto-juvenil com programações locais.

O Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes lança, este ano, a campanha “Faça Bonito: Proteja Nossas Crianças e Adolescentes”, que tem como símbolo uma flor que lembra os desenhos da primeira infância. A programação acontece em Recife, Fortaleza, Salvador, Belém, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre, onde será feito o lançamento do filme “Cinderela, lobos e um príncipe encantado”, do cineasta Joel Zito Araújo.

Já a Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced), lança, a partir do dia 18, em 11 cidades, a publicação “A defesa de crianças e adolescentes vítimas de violências sexuais – reflexões sobre a responsabilização a partir de dez situações acompanhadas por centros de defesa dos direitos da criança e do adolescente no Brasil”. O evento acontece em Recife, Rio de Janeiro, Bento Rubião, Salvador, São Leopoldo, São Luis, São Paulo, Natal, Porto Velho, Brasília, Fortaleza e Duque de Caxias.

A publicação é fruto de reflexões produzidas por um grupo de doze Centros de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) filiados à Anced. Divida em duas partes, a publicação traz na primeira o estudo de dez casos de violência sexual contra crianças e adolescentes acompanhados pelos Centros, em diversas cidades brasileiras. Na segunda parte, traz treze artigos que buscam aprofundar e debater algumas temáticas relevantes no enfrentamento à violência sexual, sobretudo nas questões ligadas à defesa de crianças e adolescentes vítimas e responsabilização dos autores da violência.

Planos de Enfrentamento

Em todo o Brasil, os planos municipais, estaduais e o nacional de enfrentamento da violência sexual infanto-juvenil tentam se adequar às novas realidades encontradas na sociedade, como a rede de exploração e divulgação de pornografia que se formou nos meios digitais e no apoio ou silêncio dos próprios responsáveis pelas crianças.

O Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil foi lançado em 2000, pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). Nele está a diretriz de que cada ente federativo deveria criar seu próprio plano e, desde então, os governos estaduais passaram a elaborar os seus. Hoje, todos estados e Distrito Federal têm seus planos de enfrentamento e muitos deles já estão passando por reformulações, para que consigam acompanhar as mudanças sociais que, com elas, trazem também novos crimes relacionados à violência contra crianças e adolescentes.

Segundo Neide Castanha, coordenadora do Comitê Nacional, os planos podem sofrer mudanças exigidas de acordo com a dinâmica da execução da política. “Eles dão diretrizes básicas para o enfrentamento como um processo de monitoramento e fiscalização”, diz. Atualmente o plano nacional está em fase de reformulação e, segundo Neide, toda a base se dá dentro da própria rede de enfrentamento, formada pelos planos estaduais, comitês e políticas locais. “É tempo de esgotar a participação democrática no campo das ideias. O plano não pode ser de combate. Temos que pensar toda a sexualidade da criança e do adolescente na perspectiva do debate; na educação, na diversidade e na responsabilidade”, lembra.

“Resolvemos aguardar o final do III Congresso Mundial para dele tirar estratégias de execução e responsabilização. Temos muitas dificuldades, como a dimensão do orçamento, por exemplo. Não é por incompetência, mas às vezes a própria sociedade civil não sabe o que fazer com os recursos. É uma fragilidade nossa, não sabemos como calcular um atendimento a uma criança vítima de abuso, por exemplo. Não é como uma consulta médica ou odontológica. Às vezes até temos, mas não sabemos como usar. Esse é um desafio que temos e que também será discutido durante a reformulação do plano nacional”, lamenta Neide Castanha.

fonte: http://www.cabecadecuia.com/noticias/46984/dia-18-de-maio-dia-nacional-de-combate-ao-abuso-e-a-exploracao-contra-criancas-e-adolescentes.html