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21 de Setembro – Dia do Idoso

domingo, 12 de setembro de 2010

Dia do Idoso

    Refletir sobre o idoso é pensar o preconceito em relação às pessoas da terceira idade. Analisarmos o sentimento que alimentamos pelos mais velhos, de forma determinada e corajosa, sem tapar o sol com a peneira.

    Trata-se de tarefa importante. Existe um adesivo de carro que, quem ainda não viu, deveria ter visto. Ele tem uma frase forte, irônica, e de uma inteligência a toda prova. Diz o seguinte: “Velho é o seu preconceito”. E não é verdade? Existe coisa mais fora de propósito, mais cheirando a mofo do que isso?

    Devíamos, isso sim, tentar pegar dos mais velhos a experiência e sabedoria de vida que anos de luta e observação os ajudaram a ter. Que tal nos deixarmos contagiar por essa bagagem de conhecimento, para virmos a ser, quem sabe, jovens e adultos mais interessantes e respeitáveis? Respeitar e ouvir o idoso é respeitar a nós mesmos.


    • Política do Isoso no Brasil

      Até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de pessoas idosas. Pelo menos segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Daí o alerta ao governo brasileiro para a necessidade de se criar, o mais rápido possível, políticas sociais que preparem a sociedade para essa realidade.

      Ainda é grande a desinformação sobre o idoso e sobre as particularidades do envelhecimento em nosso contexto social. O envelhecimento humano, na verdade, quase nunca foi estudado. Poucas escolas no país criaram cursos para auxiliar as pessoas mais velhas. Uma prova disso é que até um tempo atrás, o médico que quisesse se especializar em geriatria precisava estudar na Europa.

      A Constituição de 1988, no entanto, deixou clara a preocupação e atenção que deve ser dispensada ao assunto, quando colocou em seu texto a questão do idoso. Foi o pontapé inicial para a definição da Política Nacional do Idoso, que traçou os direitos desse público e as linhas de ação setorial.

      Depois da criação dessa Política, através da Lei 8.842, em 4 de janeiro de 1994, é que as instituições de ensino superior passaram a se adaptar, a fim de atender a determinação da Lei, que prevê a existência de cursos de Geriatria e Gerontologia Social nas Faculdades de Medicina no Brasil. Nesse âmbito, trabalhando com a terceira idade, existem duas entidades de relevo: a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e a Associação Nacional de Gerontologia. Bom esclarecermos que a geriatria é uma especialidade da medicina que trata da saúde do idoso, enquanto a gerontologia vem a ser a ciência que estuda o envelhecimento.

      Um destaque no país no auxílio à terceira idade é Brasília. Foi a primeira localidade a criar uma Subsecretaria para Assuntos do Idoso, além de instituir o Estatuto do Idoso, regido por princípios que registram o direito das pessoas mais velhas a uma ocupação e trabalho, como ainda acesso à cultura, à justiça, à saúde e à sexualidade, além, é claro, de poder participar da família e da comunidade.

      Num país como o nosso, que vê sua pirâmide populacional ser modificada pouco a pouco, tomarmos conhecimento de entidades que se dedicam a mudar o perfil do idoso depressivo, abandonado pela família e sem projetos é de extrema importância.

      Veja abaixo, como os idosos estão distribuídos no país.

Envelhecer com qualidade de vida

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O Brasil não é mais um país de jovens. É um país com muitos jovens, mas que envelhece rapidamente. Isso deve ser entendido como uma conquista; o alarmante é verificar que o equacionamento correto do fenômeno ainda está longe de ser colocado como uma das prioridades dos governantes.

O Brasil será, em 2025, a sexta nação do mundo com mais pessoas acima de 60 anos _ cerca de 33 milhões. Hoje, são mais de 13 milhões. O contingente que mais crescerá é o dos cidadãos acima de 80 anos (hoje, mais de 1,2 milhão).

A expectativa de vida, de cerca de 64 anos hoje, aumentará gradativamente nas próximas décadas, determinando que o perfil das causas de morte e doenças invalidantes seja definitivamente relacionado com males crônico-degenerativos: hipertensão, diabetes, infarto, derrames, doença de Alzheimer, câncer, osteoporose etc.

O envelhecimento é uma fase natural da vida, determinada basicamente por três fatores: genética, estilo de vida e ambiente. O patrimônio genético é, pelo menos até agora, imutável. Pessoas de famílias longevas são candidatas a viver mais. O estilo de vida deve ser alicerçado em hábitos saudáveis: atividade física regular e orientada, alimentar-se sem exageros, manter o peso ideal, ingerir álcool com moderação, não fumar e fazer controles médicos periódicos, mesmo na ausência de sintomas.

O ambiente contribui com várias facilidades: ausência de poluentes, infra-estrutura sanitária adequada, possibilidades de acesso ao mercado (com aumento da renda), fazer consultas médicas, participar de eventos socioculturais e sentir-se produtivo até o fim da vida, dedicando-se a um ideal. A ciência comprova que, se essas medidas forem adotadas, envelheceremos melhor. Todos queremos envelhecer (a outra alternativa ninguém deseja), mas sem doenças limitantes, sem sermos uma carga adicional de trabalho, gastos e preocupação para os familiares. Com sucesso (senescência), não de forma degradante (senilidade).

A gerontologia (ciência que estuda o envelhecimento) e a geriatria (que é a especialidade médica correspondente) mostram, por evidências científicas, que fora desse universo não há produtos, ervas ou poções mágicas que retardem os problemas do envelhecimento. Se eles são indicados, é por desinformação ou puro charlatanismo. A informação correta é o grande escudo para que as pessoas não se deixem enganar.

Ainda estão arraigados na sociedade mitos com relação ao envelhecimento. Talvez o chavão mais nocivo seja a frase ‘isso é normal para a idade’. Muitos crêem que certas alterações físicas e mentais em idosos, da perda de memória à pressão alta, são normais. É um grande equívoco: são ocorrências comuns, não normais. As pessoas acabam por confundir os conceitos, tomando-os como sinônimos.

É fundamental que a sociedade se conscientize. Quando sabemos que o que ocorre é comum, adotamos uma atitude ativa e humana em buscar a cura ou a melhora. Se continuamos a achar tudo ‘normal para a idade’, privamos a pessoa do tratamento adequado.

Outro mito é a automedicação (perigosa, ineficaz e onerosa), com o uso não prescrito de suplementos alimentares, vitaminas, ‘remédios para a memória’ e outras panacéias. Com essa atitude, condenável, esquivamo-nos da orientação geriátrica correta, adiando ou tornando crônicas doenças, intoxicando o organismo, pondo a saúde e até a vida em risco, além de gastar na farmácia o dinheiro que deveria ser investido em atividades mais saudáveis.

A geriatria evoluiu muito. Muitas doenças que eram consideradas incuráveis são passíveis de ser prevenidas, tratadas e até curadas. A grande orientação é não se acomodar. Se você não se sente bem, procure um médico: é muito provável que haja solução. Se você é um familiar ou conhece alguém que sofra com doenças do envelhecimento, seja solidário, estimule a ida ao médico. Não se omita. O resultado será muito gratificante eu garanto.

Dr.Norton Sayeg

fonte:

http://www.alzheimermed.com.br/m3.asp?cod_pagina=975