Posts com a Tag ‘Alemanha’

IstoÉ: Propinoduto desviou milhões do transporte nos governos do PSDB

sábado, 20 de julho de 2013

Jornal do Brasil

A revista ISTOÉ revela na edição desta semana um grandioso esquema de desvio de dinheiro das obras do Metrô e dos trens metropolitanos, montado durante os governos do PSDB em São Paulo. Lobistas e autoridades ligadas aos tucanos operavam por meio de empresas de fachada, segundo a publicação.

“Ao assinar um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a multinacional alemã Siemens lançou luz sobre um milionário propinoduto mantido há quase 20 anos por sucessivos governos do PSDB em São Paulo para desviar dinheiro das obras do Metrô e dos trens metropolitanos. Em troca de imunidade civil e criminal para si e seus executivos, a empresa revelou como ela e outras companhias se articularam na formação de cartéis para avançar sobre licitações públicas na área de transporte sobre trilhos. Para vencerem concorrências, com preços superfaturados, para manutenção, aquisição de trens, construção de linhas férreas e metrôs durante os governos tucanos em São Paulo – confessaram os executivos da multinacional alemã –, os empresários manipularam licitações e corromperam políticos e autoridades ligadas ao PSDB e servidores públicos de alto escalão”, diz a ISTOÉ.

O problema é que a prática criminosa, que trafegou sem restrições pelas administrações de Mario Covas, José Serra e Geraldo Alckmin, já era alvo de investigações, no Brasil e no Exterior, desde 2008 e nenhuma providência foi tomada por nenhum governo tucano para que ela parasse. Pelo contrário. Desde que foram feitas as primeiras investigações, tanto na Europa quanto no Brasil, as empresas envolvidas continuaram a vencer licitações e a assinar contratos com o governo do PSDB em São Paulo.

Ainda de acordo com a revista, o Ministério Público da Suíça identificou pagamentos a personagens relacionados ao PSDB realizados pela francesa Alstom – que compete com a Siemens na área de maquinários de transporte e energia – em contrapartida a contratos obtidos. Somente o MP de São Paulo abriu 15 inquéritos sobre o tema.

A ISTOÉ diz também que esta rede criminosa tem conexões em paraísos fiscais e teria drenado, pelo menos, US$ 50 milhões do erário paulista para abastecer o propinoduto tucano, segundo as investigações concluídas na Europa.

SUSPEITOS

As provas oferecidas pela Siemens e por seus executivos ao Cade são contundentes. Entre elas, consta um depoimento bombástico prestado no Brasil em junho de 2008 por um funcionário da Siemens da Alemanha. ISTOÉ teve acesso às sete páginas da denúncia. Nelas, o ex-funcionário, que prestou depoimento voluntário ao Ministério Público, revela como funciona o esquema de desvio de dinheiro dos cofres públicos e fornece os nomes de autoridades e empresários que participavam da tramoia. Segundo o ex-funcionário cujo nome é mantido em sigilo, após ganhar uma licitação, a Siemens subcontratava uma empresa para simular os serviços e, por meio dela, realizar o pagamento de propina. Foi o que aconteceu em junho de 2002, durante o governo de Geraldo Alckmin, quando a empresa alemã venceu o certame para manutenção preventiva de trens da série 3000 da CPTM (Companhia Paulista de Transportes Metropolitanos). À época, a Siemens subcontratou a MGE Transportes.

De acordo com uma planilha de pagamentos da Siemens obtida por ISTOÉ, a empresa alemã pagou à MGE R$ 2,8 milhões até junho de 2006. Desse total, pelo menos R$ 2,1 milhões foram sacados na boca do caixa por representantes da MGE para serem distribuídos a políticos e diretores da CPTM, segundo a denúncia. Para não deixar rastro da transação, os saques na boca do caixa eram sempre inferiores a R$ 10 mil. Com isso, o Banco Central não era notificado.

A MGE é frequentemente utilizada pela Siemens para pagamento de propina. Nesse caso, como de costume, a MGE ficou encarregada de pagar a propina de 5% à diretoria da CPTM”, denunciou o depoente ao Ministério Público paulista e ao ombudsman da empresa na Alemanha. Ainda de acordo com o depoimento, estariam envolvidos no esquema o diretor da MGE, Ronaldo Moriyama, segundo o delator “conhecido no mercado ferroviário por sua agressividade quando se fala em subornar o pessoal do Metrô de SP e da CPTM”, Carlos Freyze David e Décio Tambelli, respectivamente ex-presidente e ex-diretor do Metrô de São Paulo, Luiz Lavorente, ex-diretor de Operações da CPTM, e Nelson Scaglioni, ex-gerente de manutenção do metrô paulista.

Scaglioni, diz o depoente, “está na folha de pagamento da MGE há dez anos”. “Ele controla diversas licitações como os lucrativos contratos de reforma dos motores de tração do Metrô, onde a MGE deita e rola”. O encarregado de receber o dinheiro da propina em mãos e repassar às autoridades era Lavorente. “O mesmo dizia que (os valores) eram repassados integralmente a políticos do PSDB” de São Paulo e a partidos aliados. O modelo de operação feito pela Siemens por meio da MGE Transportes se repetiu com outra empresa, a japonesa Mitsui, segundo relato do funcionário da Siemens. Procurados por ISTOÉ, Moriyama, Freyze, Tambelli, Lavorente e Scaglioni não foram encontrados. A MGE, por sua vez, se nega a comentar as denúncias e disse que está colaborando com as investigações.

fonte: http://www.jb.com.br/pais/noticias/2013/07/20/istoe-propinoduto-desviou-milhoes-do-transporte-nos-governos-do-psdb

O que mais nos causa indignação, é que as denúncias são antigas, existem em todas as áreas e esferas governamentais, departamentos e diretorias das empresas estatais e paraestatais, e nada acontece, parece que é melhor se sejam abafados.

Acredito que nas próximas eleições o contribuinte compulsório saiba não em quem votar, mas sim em quem não votar!

História dos Ciganos

quinta-feira, 9 de junho de 2011

HistóriaCultura CiganaRomá

Os Ciganos pertencem a uma raça unida, com costumes e hábitos pouco comuns.

Na Europa apresentam um único idioma, com pequenas variações, devido a assimilação de certos caracteres próprios da região em que vivem.

É um povo peculiar, não somente quanto ao idioma, mas também quanto as características físicas. São na maioria altos, de pele bronzeada, dentes alvos, olhos grandes e negros, cabelos negros e enrolados.

Encontram-se concentrados, em particular na Europa na parte Ocidental da Ásia da África, apesar de estarem espalhados por todo o mundo.

Tendo surgido na Europa, atualmente são mais numerosos na Hungria, Romênia, Turquia, Espanha, Inglaterra, França, Alemanha, Itália e alguns grupos com seus clãs no Brasil.

Por praticarem quiromancia, foram excomungados pelo Papa Martinho V e expulsos da região.

Sua religião é singular, possuem uma crença regional misturada com velhas crendices, comuns a várias regiões da Europa. Povo que pelos seus mistérios, pela beleza de suas roupas e costumes, sempre foi alvo de nossa curiosidade.

As cores para o Povo Cigano têm um significado muito especial e cada uma tem seu valor próprio, primando sempre pelas cores vivas que emanam maior vibração.

Os Ciganos não simpatizam com a cor preta e a usam o mínimo possível, salvo se for de fundo ou que não ocupe lugar de destaque.

As Ciganas mantêm os pés sempre descalços, em contato direto com a terra, para assim se destituírem de qualquer possível energia negativa e absorvem a energia positiva e a bem-aventurança da mãe terra, de quem são filhas.

O Povo Cigano é assim, fascinante. É um povo que não conhece fronteiras e são chamados “ filhos do vento “, são o “ Povo das Estrelas “.

Há milênios eles vem cumprindo sua missão na terra, respeitando e reverenciando a mãe natureza, trocando e passando conhecimento do seu mundo mágico e encantador.

Imaginem no passado a vida dos Ciganos… as estradas precárias por onde transitavam com seus vurdóns, sujeitos as condições climáticas, o comboio enfrentava a tormenta da chuva e do frio, as carroças tombadas pela fúria dos ventos, ou as rodas ficavam atoladas na lama. Durante a calmaria, tudo era festa. O Povo Cigano, ao redor da fogueira cantando e dançando, ao dançar os ciganos expressam sentimentos de alegria, poesia, romantismo e felicidade.

DANÇA CIGANA

Os Ciganos adoram dançar, a dança nasce com eles no momento em que abrem os olhos para enfrentar a vida. Dançam ritmos e sons tradicionais, produzidos pelas guitarras, violinos, violões, acordeões, címbaios, castanholas, pandeiros, palmas das mãos e batidas nos pés, que aprendem desde cedo com parentes e amigos nas festas dos acampamentos. Quando dançam o fazem com a alma, com o coração, a dança é uma alegria contagiante e uma vivacidade única.

Normalmente, procuravam acampar próximo aos rios, de onde podiam colher água potável para cozinhar, beber, tomar banho, lavar as roupas. Levam consigo a linguagem da natureza, a premonição, a mística de suas proximidades com os céus, com a lua, o sol e com a terra. O Povo Cigano por sua própria natureza, é um povo rico, cheio de felicidade e alegria.

São filhos da natureza e a chuva, o rio, o sol, a lua, as matas, o ar e a terra são parte integrante de suas vidas.

A liberdade é um dos tesouros mais significativos desse povo, possuem uma espiritualidade inesgotável aliada ao respeito aos seus costumes.

A devoção à Santa Sara Kali é o aspecto mais importante e Universal da religiosidade cigana. Todo Cigano tem em sua casa uma imagem de Sara Kali, para pedir proteção. A ela oferecem frutas, flores, incensos, velas e fazem muitas orações. Em, Saintes Maries da la Mer no sul da França, a padroeira universal do Povo Cigano é festejada no dia 24 de maio.

fonte: http://www.ciganaluna.com.br

Resultado dos Jogos da Copa do mundo 2010

domingo, 13 de junho de 2010

12 de Junho de 2010

Encerrado

Coréia do Sul

2-0

Grécia

Encerrado

Argentina

1-0

Nigéria

Encerrado

Inglaterra

1-1

Estados Unidos


13 de Junho de 2010

Encerrado

Algeria

0-1

Eslovênia

Encerrado

Sérvia

0-1

Gana

Encerrado

Alemanha

4-0

Austrália

Tabela da Copa do Mundo 2010 – Africa do Sul

domingo, 6 de junho de 2010

Copa do Mundo de 2010

Tabela, Grupos, Jogos , Datas, Horários e Times Classificados

A Copa do Mundo de 2010, sediada pela África do Sul, começa no dia 11 de Junho e termina dia 11 de Julho. Será a primeira Copa a ser realizada no continente africano.

copa mundo 2010 logo

Um total de 32 equipes conseguiram sua classificação após o longo processo de Eliminatórias.

Times classificados – seleções participantes da Copa do Mundo de 2010.

África
África do Sul
Camarões
Nigéria
Argélia
Gana
Costa do Marfim

Ásia
Austrália
Japão
Coréia do Norte
Coréia do Sul

Europa
Dinamarca
Suíça
Eslováquia
Alemanha
Espanha
Inglaterra
Sérvia
Itália
Holanda
Portugal
Grécia
Eslovênia
França
América do Norte, Central e Caribe
Estados Unidos
México
Honduras

América do Sul
Brasil
Chile
Paraguai
Argentina
Uruguai

Oceania
Nova Zelândia

Os grupos são definidos por sorteio.

Grupos da Copa do Mundo de 2010 e a lista completa de jogos com suas datas e horários (de Brasília).

PG: pontos ganhos – JD: jogos disputados – SG: saldo de gols

A Seleção PG JD SG
1 África do Sul 0 0 0
2 México 0 0 0
3 Uruguai 0 0 0
4 França 0 0 0
11/06 – 11:00 – África do Sul x México
11/06 – 15:30 – Uruguai x França
16/06 – 15:30 – África do Sul x Uruguai
17/11 – 15:30 – França x México
22/11 – 11:00 – México x Uruguai
22/11 – 11:00 – França x África do Sul
B Seleção PG JD SG
1 Argentina 0 0 0
2 Nigéria 0 0 0
3 Coréia do Sul 0 0 0
4 Grécia 0 0 0
12/06 – 11:00 – Argentina x Nigéria
12/06 – 08:30 – Coréia do Sul x Grécia
17/06 – 11:00 – Grécia x Nigéria
17/06 – 08:30 – Argentina x Coréia do Sul
22/06 – 15:30 – Nigéria x Coréia do Sul
22/06 – 15:30 – Grécia x Argentina

C Seleção PG JD SG
1 Inglaterra 0 0 0
2 Estados Unidos 0 0 0
3 Argélia 0 0 0
4 Eslovênia 0 0 0
12/06 – 15:30 – Inglaterra x Estados Unidos
13/06 – 08:30 – Argélia x Eslovênia
18/06 – 11:00 – Eslovênia x Estados Unidos
18/06 – 15:30 – Inglaterra x Argélia
23/06 – 11:00 – Eslovênia x Inglaterra
23/06 – 11:00 – Estados Unidos x Argélia
D Seleção PG JD SG
1 Alemanha 0 0 0
2 Austrália 0 0 0
3 Sérvia 0 0 0
4 Gana 0 0 0
13/06 – 15:30 – Alemanha x Austrália
13/06 – 11:00 – Sérvia x Gana
18/06 – 08:30 – Alemanha x Sérvia
19/06 – 11:00 – Gana x Austrália
23/06 – 15:30 – Gana x Alemanha
23/06 – 15:30 – Austrália x Sérvia

E Seleção PG JD SG
1 Holanda 0 0 0
2 Dinamarca 0 0 0
3 Japão 0 0 0
4 Camarões 0 0 0
14/06 – 08:30 – Holanda x Dinamarca
14/06 – 11:00 – Japão x Camarões
19/06 – 08:30 – Holanda x Japão
19/06 – 15:30 – Camarões x Dinamarca
24/06 – 15:30 – Dinamarca x Japão
24/06 – 15:30 – Camarões x Holanda
F Seleção PG JD SG
1 Itália 0 0 0
2 Paraguai 0 0 0
3 Nova Zelândia 0 0 0
4 Eslováquia 0 0 0
14/06 – 15:30 – Itália x Paraguai
15/06 – 08:30 – Nova Zelândia x Eslováquia
20/06 – 08:30 – Eslováquia x Paraguai
20/06 – 11:00 – Itália x Nova Zelândia
24/06 – 11:00 – Eslováquia x Itália
24/06 – 11:00 – Paraguai x Nova Zelândia

G Seleção PG JD SG
1 Brasil 0 0 0
2 Coréia do Norte 0 0 0
3 Costa do Marfim 0 0 0
4 Portugal 0 0 0
15/06 – 11:00 – Costa do Marfim x Portugal
15/06 – 15:30 – Brasil x Coréia do Norte
20/06 – 15:30 – Brasil x Costa do Marfim
21/06 – 08:30 – Portugal x Coréia do Norte
25/06 – 11:00 – Portugal x Brasil
25/06 – 11:00 – Coréia do Norte x Costa do Marfim
H Seleção PG JD SG
1 Espanha 0 0 0
2 Suíça 0 0 0
3 Honduras 0 0 0
4 Chile 0 0 0
16/06 – 08:30 – Honduras x Chile
16/06 – 11:00 – Espanha x Suíça
21/06 – 11:00 – Chile x Suíça
21/06 – 15:30 – Espanha x Honduras
25/06 – 15:30 – Chile x Espanha
25/06 – 15:30 – Suíça x Honduras

Fonte:http://jumentosfutebolclube.com

Imigração Alemã no Brasil

sábado, 22 de maio de 2010

Razões da Emigração na Alemanha

Quando se fala em imigração alemã há 170 anos, é bom pensar como eram as coisas naquele tempo, na Alemanha, no Brasil, no Rio Grande do Sul.

O Brasil tinha meia dúzia de centros notórios, como Rio de Janeiro, a capital do recém criado Império Brasileiro; Salvador, antiga capital; Recife, São Paulo e núcleos mais provincianos como Porto Alegre. O Brasil era movido pelos escravos. De seu suor, sangue e lágrimas vivia a jovem nação. Açúcar, gado, cacau, pedras preciosas, tudo nascia de suas mãos. E como eles fossem em maior número do que os homens livres, é provável que esse fato levasse o Governo a pensar em imigrantes de outra categoria. O Rio Grande de São Pedro tinha Porto Alegre como capital. Ainda marcavam presença Viamão, Rio Pardo, Pelotas e Rio Grande, para citar apenas alguns núcleos. O gado constituía a grande riqueza, indelevelmente ligada à História do extremo sul. Aqui também o braço servil era uma realidade.

“O começo na mata virgem.” – Imagem pertencente ao Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
Falar na Alemanha da época requer registrar que ela não existia como unidade nacional. Havia reinados, principados, ducados, independentes entre si. O que identificava a todos, e daí falarmos em Alemanha, era a língua. Na Idade Média, predominava os dialetos. Ainda hoje a Alemanha é rica em dialetos. Com Lutero ao traduzir a Bíblia para que os alemães pudessem lê-la, criou-se a língua alemã ou simplesmente, o alemão. Ao uniformizar o idioma, havia um elo comum entre todos os departamentos políticos vindos da Idade Média. Logo, ao falarmos em imigrantes da Alemanha, antes de 1871, ano da unificação formalizada por Bismark, referimo-nos às pessoas de fala alemã. Os passaportes da época registram a origem das pessoas como sendo da Prússia, de Schleswig-Holstein, Renânia, Hesse ou Pomerânia. Como todas falassem a mesma língua, a História só registra “alemães”. Mas isso não tira o mérito da imigração entre nós.

Agora podemos perguntar – o que leva uma pessoa a deixar seu lugar de nascimento?

Ora, com nossos imigrantes alemães houve, como em qualquer ser humano, o desejo natural de progredir, a visualização de novos horizontes em razão de situações existentes em sua terra natal.

Na família alemã vamos encontrar o “Erbrecht” (morgadio), direto hereditário do filho mais velho. Como não houvesse mão-de-obra à disposição, eram comuns famílias com oito, dez ou mais filhos. A propaganda brasileira então feita na Alemanha deve ter produzido os efeitos desejados, já que muitos viam a grande oportunidade de terem suas terras próprias. E muita terra! Enfim, sessenta ou setenta hectares era muita terra. Não seria hora da realização da utopia de cada um? Outrossim, é preciso considerar que, ao tempo do início da imigração, a Alemanha saíra das Guerras Napoleônicas, que causaram uma devastação fácil de imaginar: lavouras destruidas seguidamente, moradias em chamas, mortes, dizimação da juventude masculina, a soldadesca deixando seus restros junto ao elemento feminino… Quanto aos renanos, o maior número de imigrantes, suas terras sempre foram palco de lutas travadas ao longo do rio Reno, fato que pode explicar sua inquietação. Mais. A emigração começou em 1824, setenta anos depois da invenção da máquina a vapor, na Inglaterra, cujos efeitos técnicos começavam a fazer sentir na Europa continental. A máquina dispensa mão-de-obra e a previsão de desemprego para tanta gente deve ter exercido sua influência sobre a emigração. Depois veremos que os artesãos, começando a perder suas oportunidades na Alemanha, foram aqui muito importantes, porque lançaram as bases da industrialização. Além desses fatores gerais, em cada região de onde provieram imigrantes, com destaque para a Renânia, Vestfália e Pomerânia, havia fatores locais a influir na saída de seus filhos.

Razões da imigração no Brasil

Por que alemães vieram ao Brasil?

Quem sabia na Renânia que o Brasil existia?

Onde ficava esse Brasil?

Nos meios políticos e governamentais certamente o Brasil era conhecido porque a filha de Francisco II, último Imperador do Sacro Império Romano de Nação Alemã, ao mesmo tempo, Francisco I, primeiro Imperador da Áustria, da Casa dos Habsburgos, era casada com o jovem Imperador Pedro I, da Casa de Bragança. O nome dessa mulher ressoou e ainda ressoa no Brasil, mormente no sul, em virtude da imigração alemã. A arquiduquesa Leopoldina Carolina Josefa contraiu matrimonio com D. Pedro, apenas príncipe, no dia 13 de maio de 1817, por procuração, em Viena. Pelas descrições, Leopoldina não era um “monumento” de beleza, mas seria simpática, cabelos louros, olhos azuis, atenciosa, inteligente, cativante. Ela conquistou os brasileiros, que a consideravam uma “mãe”, como registram os livros. E quanto mais os brasileiros ficaram conhecendo seu Imperador, com todos seus pecados, tanto mais Leopoldina subia no conceito deles. É fácil imaginar que o fato de uma princesa germânica ser a Imperatriz do Brasil tenha dado ênfase à imigração. Leopoldina sabia que sua antepassada, Imperatriz Maria Teresa, havia colonizado terras ao longo do Danúbio, para impedir o avanço dos turcos em direção ao centro da Europa, com ameaça ao território austríaco. O Brasil vivia uma situação parecida no sul. Ali constantemente havia invasões e atividades bélicas para manter as fronteiras brasileiras. A colonização mais intensa daquele pedaço de terra poderia ajudar a manter o equilíbrio geopolítico. Na verdade, os açorianos, então “donos” do Rio Grande, eram, também, os “eternos vigilantes”. Afirmava-se que dormiam com um olho só; o outro estava sempre aberto para ver o inimigo chegar.
Colonizar o sul. Mas onde buscar os colonizadores?

É claro que não viriam portugueses, de quem o Brasil acabara de se emancipar. Espanhóis, nem pensar, porque eram os inimigos naquela região. Franceses também não, porque um dia haviam invadido o Rio de Janeiro, fundando a “França Antártica”. Ingleses também não, porque igualmente haviam tentado instalar-se no Brasil. Holandeses fora de cogitação, pois estiveram 24 anos no Nordeste. Alemães. Leopoldina era alemã. A Prússia, que depois integraria a Alemanha, tinha um exército reconhecido e admirado por D. Pedro I, cujas tendências militaristas era conhecidas. O Brasil precisava de soldados, já que os portugueses, com a Independência, haviam voltado para Portugal. Quem defenderia o Brasil? D. Pedro I interessou-se por mercenários alemães e provavelmente, para não ser notado esse “movimento militarista”, passou a contratar também colonos que ocupariam as terras sulinas.

Para proceder adequadamente, foi enviado à Alemanha Jorge Antônio von Schäffer, preposto do Império. A missão de Schäffer, embora exitosa, teve muitos percalços. A Europa estava impedindo que soldados saíssem como mercenários. Quem desejasse emigrar, deveria renunciar à nacionalidade e apresentar provas de que o país destinatário lhe daria nova nacionalidade. Os países europeus queriam prevenir-se contra futuras responsabilidades.

O governo brasileiro oferecia: passagem paga; concessão de cidadania; concessão de lotes de terra livres e desimpedidos; suprimento com primeiras necessidades; materiais de trabalho e animais; isenção de impostos por alguns anos; liberdade de culto.

No Brasil há uma expressão popular que diz: “Quando a esmola é demais o pobre desconfia”. É muito possível que alguém considerasse a oferta grande demais. Isso iria confirmar-se mais tarde, porque chegar ao Rio Grande, mais especificamente a São Leopoldo, e receber um lote de terras a 30 ou 40 quilômetros distantes da sede, sem estradas, sem escolas, na mata virgem, deve ter provocado muitas lágrimas. Com relação à liberdade de culto oferecida – o Governo deveria prever que entre os imigrantes havia luteranos – era inconstitucional, porque pela Constituição Imperial de 1824 a religião católica era oficial. Outros credos poderiam ser praticados, em caráter particular, em casas, sem aparência exterior de templo.

A primeira leva de imigrantes

Os imigrantes contratados por conta do Governo brasileiro por Jorge Antônio von Schäffer na Alemanha e componentes da primeira leva, depois de passarem pelo Rio de Janeiro, chegaram a Porto Alegre em 18 de julho de 1824. Seguindo instruções recebidas, o Presidente da Província, José Feliciano Fernandes Pinheiro, encaminhou os imigrantes para a Feitoria desativada à margem esquerda do Sinos.

É fácil imaginar a viagem Sinos acima. Uma vegetação luxuriante, com árvores enormes e flores em profusão; muitos animais povoando as margens: jacarés, capivaras, ratões do banhado, fuinhas e, sem dúvida, alguma cobra deitada preguiçosamente sobre um tronco caído na água. No céu bandos de aves a fazerem seu balê ao vivo e em cores; garças, biguás, um mundo de pássaros coloridos. Numa palavra: um encanto! Um mundo novo à espera de quem fizera uma viagem de 12.000 quilômetros em busca de uma nova pátria. Do rio, carretas de boi levaram os imigrantes até a Feitoria. era o dia 25 de julho de 1824, um domingo, data da fundação do primeiro núcleo de colonização alemã no sul do Brasil, que viria a transformar-se na cidade de origem alemã no Estado, a data é festejada em todos os quadrantes.

A primeira leva de imigrantes era formada pelas seguintes pessoas, nun total de 39: Miguel Krämer e esposa Margarida, católicos. João Frederico Höpper, esposa Anna Margarida, filhos Anna Maria, Christóvão, João Ludovico, evangélicos. Paulo Hammel, esposa Maria Teresa, filhos Carlos e Antônio, católicos. João Henrique Otto Pfingst (en ?), esposa Catarina, filhos Carolina, Dorothea, Frederico, Catarina, Maria, evangélicos. João Christiano Rust (Bust?), esposa Joana Margarida, filha Joana e Luiza, evangélicos. Henrique Timm, esposa Margarida Ana, filhos João Henrique, Ana catarina, Catarina Margarida, Jorge e Jacob, evangélicos. Augusto Timm, esposa Catarina, filhos Christóvão e João, evangélicos. Gaspar Henrique Bentzen, cuja esposa morreu na viagem; um parente, Frederico Gross; o filho João Henrique, evangélicos. João Henrique Jaacks, esposa Catarina, filhos João Henrique e João Joaquim, evangélicos.

Essas 39 pessoas, 6 católicas e 33 envagélicas, são as fundadoras de São Leopoldo, nome e lugar então inexistentes, porque tudo se resumia à Feitoria do Linho-Cânhamo.

É fácil imaginar o quadro na Feitoria com a chegada dos alemães.

Um lugar nunca imaginado, gente de língua desconhecida e costumes estranhos. E por que tudo tinha um ar de abandono? Se a isso juntar-se um dia de inverno no Vale do Sinos com frio, cerração e umidade, a chegada deve ter causado impacto. Mas aquele dia ajudou a fazer um novo Rio Grande, razão para dividir-se sua História em “antes” e “depois” de 1824.

Na parte econômica, podemos referir que a produção agrícola em poucos anos floresceu, a ponto de a colônia abastecer a capital, Porto Alegre. Mais: ao lado do trabalho agrícola, os alemães também eram Handwerker, isto é, artesãos. Trabalhavam a madeira, o ferro, o couro, as fibras. Desse artesanato, na Alemanha, provieram muitos nomes próprios. Assim, Schmidt é ferreiro; Schuster, sapateiro; também Schuhmacher, sapateiro; Weber, tecelão; Zimmermann, carpinteiro; Schreiner, marceneiro; Schneider, alfaiate; Wagner, construtor de carroças; Müller, moleiro. Com seu trabalho, os artesãos formaram as bases da industrialização no Rio Grande. Não é para menos que o Vale do Sinos transformou-se numa extraordinária concentração industrial. Muitas grandes fábricas espalhadas pelas cidades de origem alemã começaram com um verdadeiro artesanato, em pequenas casinhas de porta e janela, onde tudo era feito à mão.

Na parte cultural merecem citação muito especial as escolas. Não as encontrando aqui, os colonos as criaram para ensinar as crianças a ler, escrever e fazer contas. Assim surgiram as escolas de comunidade, em alemão Gemeindeschule. Não havia picada, lá no fundo do mato, onde não funcionasse uma escolinha. As crianças vinham de longe, até de um raio de 4 ou mais quilômetros. Algumas vinham a cavalo. O material de aula era simples: a lousa, em alemão Tafel; o lápis de pedra, em alemão Griffel, e mais tarde a cartilha, em alemão Lesebuch. Aumentadas em número a cada ano e espalhadas com as novas levas de imigrantes em novos espaços, essas escolas garantiram a luz das letras a milhares e milhares de pessoas. Por volta de 1938 eram mais de mil escolas coloniais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra o menor número de analfabetos na “colônia alemã”.


Fotografia tirada no “Atelier de Photographia de Barbeitos & Irmão” – Porto Alegre
Ainda na parte cultural, podemos dizer que os alemães têm um caráter muito associativo, isto é, gostam ou até precisam viver em grupos. O clima frio deve ter sua influência sobre tal comportamento. Já nos climas quentes as pessoas andam soltas, fora de casa, sem o aconchego da lareira. A intensa vida em família e os encontros nos locais de lazer, nos clubes, fez surgir grupos de música, de teatro, de canto. Assim o canto coral, tão intenso em nosso Estado, a ponto de haver uma Federação de Coros, é uma das grandes heranças alemãs. Não há vila de origem alemã onde não se cante em grupos masculinos, femininos ou mistos. No mínino, nas comunidades religiosas há um pequeno coro que abrilhanta os cultos, acompanha enterros ou alegra as festas de igreja.

Fonte: 1824 ANTES E DEPOIS – O Rio Grande do Sul e a imigração alemã
Texto: Telmo Lauro Müller

fonte: http://www.colono.com.br/asp/entrada_historia.asp