A ONU aprova invasão da Amazônia
Por Jornal do Commércio 20/06/2003 às 00:05
Se os Estados Unidos decidirem um dia invadir a Amazônia terão de imediato um respaldo da ONU, segundo alertou ontem na Câmara Municipal de Manaus o general-de-brigada Thaumaturgo Sotero Vaz.

Gabriel Andrade
Se os Estados Unidos da América resolverem invadir e internacionalizar a Amazônia Brasileira, terão respaldo em resoluções da ONU (Organização das Nações Unidas) que admitem pelo menos três justificativas para a tomada da região: o narcotráfico, a destruição da floresta tropical e a proteção das comunidades indígenas. Para o general-de-brigada Thaumaturgo Sotero Vaz, que falou sobre o tema ontem na Câmara Municipal de Manaus, pretextos não faltarão aos norte-americanos, a menos que o governo brasileiro adote providências imediatas para ocupar e desenvolver a região.
Thaumaturgo, ex-comandante do CMA (Comando Militar da Amazônia) e estudioso dos problemas da região, disse que as pressões sobre o governo brasileiro pela internacionalização da Amazônia remontam ao ano de 1918, quando o presidente Epitácio Pessoa foi “peitado” pelo governo dos Estados Unidos para ceder a região.
O general receia que as recentes resoluções da ONU, que admite intervenção nos países envolvidos com terrorismo internacional, narcotráfico, imigração ilegal, destruição das florestas tropicais e ameaça às comunidades indígenas sejam usadas como pretextos para os EUA invadirem a Amazônia. Ele acrescentou que a região está enquadrada em pelo menos três desses itens já aprovados em resoluções na ONU – índios, floresta e narcotráfico.
De acordo com Thaumaturgo, o que antes era apenas uma questão geopolítica passou a ter aspectos econômicos.
Ele citou o caso do estanho e cassiterita de Rondônia e do Amazonas, cujas minas, quando foram ativadas, derrubaram os preços dos minérios no mercado mundial e obrigaram a Austrália, Inglaterra e França a fecharem quarenta minas até nas possessões africanas, porque não podiam concorrer com os minérios da Amazônia.
ERON: “FHC AUTORIZOU A INVASÃO”
A questão da internacionalização da Amazônia foi discutida ontem também na Assembléia Legislativa, onde o deputado Eron Bezerra (PC do B) acusou o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) de ter liberado a metade da região para eventuais invasões. De acordo com o parlamentar comunista, 60 milhões de hectares serão bloqueados e loteados por ONG’s internacionais. “Como não cabe mais a invasão militar pura e simples, como fizeram no Iraque, o esquema agora é o do bloqueio da região”, denunciou o político.
Bezerra lembrou que o Estado do Amazonas possui 1,5 milhão de quilômetros quadrados, o que significa 150 milhões de hectares, dos quais a metade está bloqueada pelas ONG’s internacionais por determinação de Fernando Henrique. O mais grave, citou o parlamentar, é que o Ministério do Meio Ambiente está sendo conivente com a situação. “Isso é lamentável e perigoso”, alertou.
DOMÍNIO SUTIL
Eron disse que nenhuma nação estrangeira tem, nesse momento, como fazer uso da força militar para invadir a Amazônia, porque o Brasil tem forte representação no sistema democrático mundial. Diante disso, a estratégia de dominação seria a sutileza do bloqueio, tomando aos poucos grandes áreas da região. “Há anos venho denunciando esse esquema e agora acredito que seja materializado com o único legado que o ex-presidente FHC deixou para os amazônidas”, protestou o parlamentar.
Eron Bezerra convocou os amazônidas e, principalmente, os amazonenses, a se unirem e lutarem na defesa da região amazônica, para que não seja invadida a partir do Amazonas.
Para ele, é preciso bloquear o Ministério do Meio Ambiente, não permitindo que o governo autorize o loteamento dos 60 milhões de hectares e a entrega da biodiversidade amazônica às potências estrangeiras.
fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/red/2003/06/256730.shtml