Quantas e quantas vezes somos surpreendidos, com um olhar de indignação, dúvida, desaprovação ou de ansiedade por alguém que vemos praticamente todos os dias por anos seguidos.
É, está na hora de olharmos em nosso redor e admitirmos que rodeiam vários mundos que convivem em nossa órbita, nos testam, nos ignoram, nos chamam… Enfim , sentimo-nos onipotentes, auto suficientes e absolutos, nos posicionamos como o pivô do mundo.
Olhamos e quase nunca vemos, falamos e quase nunca ouvimos. Mas todos estão nos olhando, ouvindo, julgando, fazendo juízo, aclamando, e até muitas vezes sorrindo para nós.
Pois é, hoje me vi só, sem perceber os meus sentidos, distante e vago. Tive que parar um pouco para tomar fôlego. Precisava pela primeira vez de ajuda, estava angustiado, não havia ninguém em minha órbita. Até senti uma sensação de abandono e que não estava sendo observado e admirado por ninguém.
Senti nitidamente uma solidão, na qual nunca houvera sentido antes em minha vida. Não estava conseguindo entender bem este sentimento, sempre estive altivo, no centro das atenções e responsável por tudo aquilo que conquistara e dividido com os que a mim serviam.
Lembrei-me que fora criança um dia. Tive uma família, e cresci buscando meus ideais, meus objetivos audaciosos e que conseguira com anos e anos de trabalho conquistar meu espaço, meu sucesso e destaque.
Não vi e nem senti o tempo passar…. Agora estou só.
Finalmente consegui descer e raciocinar como criança, e perceber que não vi que envelhecera, que minha esposa tinha perdido seu encanto e vivacidade. E meus filhos…. nem me lembro de ter participado com eles nos estudos, na adolescência no seu desenvolvimento.
Percebo agora… não conheço meus filhos. Eles cresceram, estão formados moralmente, mas não conhecem o seu pai. Ora, que pai? Nunca lhes dei a atenção merecida, não dediquei momento algum de minha vida e menos ainda da vida deles.
Bem, acho que esta angústia é um bom sinal. Ainda há tempo.
Quero muito correr para casa, e abraçar longamente minha esposa, meus filhos e jamais deixar este sentimento de ausência e solidão tomar conta de meu ser.
Eu os amo, e tenho que provar a eles que errei ao criá-los à distância. Quero muito, muito começar a viver de novo, uma nova vida em Família com amor e descer definitivamente do pedestal. Ora que pedestal é este que me privou de sentir e viver o que há de mais importante para qualquer ser vivo que é a Família.
Luiz Sergio em 23/12/2009